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quinta-feira

de um bom sentimento teu


Fui observando à medida que caminhavas ou caías ou ias indo. Fui ouvindo à medida que ias falando ou dizendo algumas palavras. Observei  escutei  estive. Observei  escutei  estive. Observei  escutei  estive. Várias vezes         todas as vezes que aqui vieste. Houve um dia que chegas-te e não falas-te de ninguém, ou pensei eu. Claro que tinham ocorrido alguns acontecimentos e tu estavas cá outra vez, a dizer que coordenada x e y não te tinham levado a bom porto. Agora era eu       eu dizia tu escutavas. Não estava a espera de ser eu nem tu estavas à espera de ser eu. Mas aconteceu da minha parte.
Agora faz contigo o que eu fiz contigo  observa  escuta está observa escuta está observa escuta está e vai e corre atrás de ti e tenta ser um bom amigo dos teus amigos. Faz várias vezes o que dizes-te uma vez, tenho de ir mais vezes ao meu lado humano

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Acordo depois de me adormecer. Levo o corpo ao colo; o repouso quieto aguarda por mim. E eu vou e estou onde o instante de estar é levado pelo peso atroz do ar. O ar que mantém o corpo de pé, ansioso e consumido de cansaço. Uma respiração gasta por palavras e gestos caídos em lugar sem fim - vertido aço. E eu vou e estou onde deixei de estar e de ser

sexta-feira

Imagem #8

Desmanchar uma cebola frente a um espelho
segurando a imagem dobrada.

terça-feira

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Cerrada em si a rua escuta
passos apressados
um corpo leva um abraço expirado pelo frio.

domingo

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quem se atreve a aquecer o frio,
onde o tempo ficou preso numa agulha.

sexta-feira

" "

O vento cai entre pedras que flutuam.
O vazio pleno adormece.
O silêncio fica suspenso.
A água lisa afunda-se.
O frio contempla o seu reflexo.
O martelo cintila.
O ar parte as montanhas.
A caricia rasga-se.
O sopro corre em pedaços.
A luz salta para o escuro.
A névoa torna-se espada.
O duro tronco levita.
O sorriso endurece.
O ar em flecha se torna.

segunda-feira

" "

"(...) o homem e a mulher. Para além das palavras, um olhar, um sorriso é quanto basta para que cada um se abra ao mistério do outro, ao mistério novo. "

François Cheng, A Eternidade não de mais, Ed. Bizâncio, pg 13

terça-feira

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O mundo estraga-nos com os seus mimos.

sexta-feira

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Gota a gota
cai
a pedra

Passo a passo
ergue-se o chão.

domingo

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A tranquilidade das rochas
é observada pelo rio que corre.
A quietude do céu
é observada pelo flutuar das nuvens.

O sol vem lá de cima para nos tocar.
Ás árvores cá em baixo para nos apoiar.

Temos o silêncio a ouvir:

A chuva faz ligação entre
rio e céu
rochas e nuvens

O Homem faz ligação
o quê?

Temos sorrisos à espera de serem feitos.

sábado

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Rochas de árvores no meio das nuvens a contemplar os Homens.
Nós por aqui: a abanar sem vento.

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Cerrada em si a rua escuta
o frio tem um corpo de um abraço arrepiado.

quarta-feira

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Saber que não se sabe
é ter conhecimento. Fazer o conhecimento é ter sabedoria.
Pensar que se sabe sem dizer a ninguém o que se sabe
é deixar de ter conhecimento.

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quantas vezes devias ter mordido e não apenas ladrado