Mãos que sentem.
Mãos que acolhem o peso da cabeça e a seguram como se ela fosse cair. Mãos que se descansam. As mãos que escrevem. As mãos que lêem e as que dão a ler. As que pensam e as que falam. As mãos que imitam e omitem gestos. As que acenam. As mãos que fazem, que fazem fazer. As mãos que empurram, as que unem. As mãos que se estendem, as que deitam fora, as que seguram. As que agarram. As mãos que tiram, as que dão. As mãos que matam. As que respiram. As mãos que apontam. As que se encolhem. As mãos que obrigam. As que obedecem. As mãos da terra. As mãos que partem, as que ficam. As mãos que atacam. As que protegem. As mãos que se afastam. Que se cruzam. As mãos que se abraçam, que se tocam.
Mãos que não se cansam de sentir.
A mão que toca o que vê faz a mão tocar e sentir o que o olhar observa: faz o corpo chegar perto ao que permanecia ainda afastado do mundo privado da mão.
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segunda-feira
Encontro de duas mãos.
Mão em mão ocupando cada uma o seu espaço que fica do seu lado. O espaço no meio é respirado por um corpo. Este vive, não para separar as duas mãos, vive antes para as poder unir através de braços que se abraçam. Braços, onde cada uma das mãos aparentemente fixas aparentemente em movimento, fazem outros corpos.
Cada uma, segura de si segura-se a si mesma para poder dar a sua mão à outra, e caminhar em cima dos pés, abrindo caminho ao corpo, e ele: atravessar-se a si mesmo.
Cada uma, segura de si segura-se a si mesma para poder dar a sua mão à outra, e caminhar em cima dos pés, abrindo caminho ao corpo, e ele: atravessar-se a si mesmo.
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