Com o tempo os homens
esqueceram-se de lavar a água. E partiram nas suas caravelas em forma de fila,
umas seguidas de outras, as caravelas e as ondas. O vento de cada lado sopra,
elas ficam direitas e seguem o caminho sobre as águas. Nessa tarde em que
partiram, chegaram. A âncora desce a sua posição e ancora junto do fundo do
mar. A ela, outras âncoras vindas do mesmo mar, partem para o oceano. Os homens
deixados nas caravelas, saem conquistando as terras, com os olhos e as mãos. O fogo
e o sangue são as armas. Pouco restou. Corpos mutilados, cinzas arrancadas. O vinho
faz a festa. As luzes, as pessoas, a noite. Tudo junto parecia uma multidão. Mas
naquela ilha vivia uma pessoa de cada vez.
terça-feira
segunda-feira
domingo
Passa o ar.
Passear o vento, a terra, o mar
Recolher os dias seria
voluntário, não fossem eles se prender à masmorra das horas, uns seguidos de
outros. Todas as encostas sabem e perdem-se.
Até a mão se descose do corpo e
sai à procura para fazer.
O encontro entre, nem sempre está em permanência. Por
vezes foge bem para longe. A volta desce à rua e cruza-se à esquina com à outra
rua. Formam assim um encontro entre ambas, a passagem cresce e desforma-se.
sábado
Semear o corpo. Colher firmeza.
Segurar o corpo firme.
Primeiro passo dentro do corpo, o braço a
agarrar a mão. O malmequer em cada dedo, o bem-querer da mão inteira, a segurar
a pelicula do exterior. A mão descida pelo braço abre-se, encosta-se e pega no
barro. Segura. Contrai. Guarda-o dentro dela com força. A força, as veias, o
sangue, a pele, o pulsar, os dedos. Tudo no mesmo instante para o instante
seguinte. Mandar através da força o barro à parede a ver se cola. Às vezes cai
antes de. Outras vezes fica e parece agarrado. E ainda outras vezes ele fica
mais do que se estava à espera. Mas o barro volta a cair. Várias vezes, umas
seguidas de outras.
O corpo começou a observar. A mão, o barro, a
queda. E permaneceu firme.
Segundo passo do corpo, o braço a levar a
mão. O braço esquerdo lança a sua mão a apreender para junto do corpo a firmeza
da madeira que faz o arco, e a pena que direciona a flecha. A mão esquerda a
encostar-se ao corpo e a entrar nele. A força. A delicadeza. A respiração. A direção
interior envia a seta para fora. Ela fura o ar e penetra o superfície que toca.
No mesmo instante em que a flecha penetra o interior, o arqueiro termina a sua
respiração. A tarefa.
O corpo continuou a observar. A mão, a seta,
a respiração. E permaneceu firme.
Terceiro passo do corpo, o corpo inteiro. A respiração
tem o interior do corpo, dá-lhe resistência para o salto. O salto permanece imóvel.
O corpo retira a sua firmeza e lança-se em amplitude.
sexta-feira
do corpo
Viro o corpo para fora
ele sobe as árvores e retém-se
retém-se em observação.
O pormenor do outro corpo
retido debaixo da árvore fica.
ele sobe as árvores e retém-se
retém-se em observação.
O pormenor do outro corpo
retido debaixo da árvore fica.
terça-feira
quinta-feira
terça-feira
sexta-feira
sábado
segunda-feira
. . .
A luz toda, de uma só vez - a luz
que vem das trevas - Sair do mundo inteiro de uma só vez. E ficar. Invocar. Perder
o corpo entre árvores dentro do tronco. A costura que arranha também resguarda,
se eu lhe der essa frequência. A candura de estar e saber que não se vai ficar.
Depois de uma manhã, o segundo
dia aberto. A expansão do silêncio onde o sol atravessa vidas, regressa.
Regressa no momento subtil que vem
acontecer mais tarde. A rotação de cada momento, cria o momento seguinte, delicado
e subtil, quase transparente. Mas está, e permanece até sentir-se a si mesmo. Em
rocha. Em pena. E regressa de onde vem e para onde retomas. No mesmo sítio onde
a queda deixou de cair, sai a imagem do corpo pela mão.
O terceiro dia a acabar dentro da
manhã. Penas pressas ao vento desapegam árvores, carregam o tronco em
filamentos e levantam o chão da terra, onde tudo acontece e nada acontece. Como
a ternura de acordar o dia sem saber como ele se irá fechar.
.
sexta-feira
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