domingo

Passa o ar.



Passear o vento, a terra, o mar

Recolher os dias seria voluntário, não fossem eles se prender à masmorra das horas, uns seguidos de outros. Todas as encostas sabem e perdem-se. 
Até a mão se descose do corpo e sai à procura para fazer. 
O encontro entre, nem sempre está em permanência. Por vezes foge bem para longe. A volta desce à rua e cruza-se à esquina com à outra rua. Formam assim um encontro entre ambas, a passagem cresce e desforma-se.

sábado

Semear o corpo. Colher firmeza.



Segurar o corpo firme. 

Primeiro passo dentro do corpo, o braço a agarrar a mão. O malmequer em cada dedo, o bem-querer da mão inteira, a segurar a pelicula do exterior. A mão descida pelo braço abre-se, encosta-se e pega no barro. Segura. Contrai. Guarda-o dentro dela com força. A força, as veias, o sangue, a pele, o pulsar, os dedos. Tudo no mesmo instante para o instante seguinte. Mandar através da força o barro à parede a ver se cola. Às vezes cai antes de. Outras vezes fica e parece agarrado. E ainda outras vezes ele fica mais do que se estava à espera. Mas o barro volta a cair. Várias vezes, umas seguidas de outras. 

O corpo começou a observar. A mão, o barro, a queda. E permaneceu firme. 

Segundo passo do corpo, o braço a levar a mão. O braço esquerdo lança a sua mão a apreender para junto do corpo a firmeza da madeira que faz o arco, e a pena que direciona a flecha. A mão esquerda a encostar-se ao corpo e a entrar nele. A força. A delicadeza. A respiração. A direção interior envia a seta para fora. Ela fura o ar e penetra o superfície que toca. No mesmo instante em que a flecha penetra o interior, o arqueiro termina a sua respiração. A tarefa. 

O corpo continuou a observar. A mão, a seta, a respiração. E permaneceu firme.

Terceiro passo do corpo, o corpo inteiro. A respiração tem o interior do corpo, dá-lhe resistência para o salto. O salto permanece imóvel. O corpo retira a sua firmeza e lança-se em amplitude.

sexta-feira

do corpo

Viro o corpo para fora
ele sobe as árvores e retém-se
retém-se em observação.
O pormenor do outro corpo
retido debaixo da árvore fica.

terça-feira

Água







Água
Aguarela sobre papel
40x30 cm
2012
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quinta-feira

Matéria



Matéria
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2012
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terça-feira

Experiência do não-sei







Experiência do não sei
Aguarela sobre papel
30x22 cm
2012
Vendido

sexta-feira

Permitir II







Permitir II
Aguarela sobre papel
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Vendido

segunda-feira

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A luz toda, de uma só vez - a luz que vem das trevas - Sair do mundo inteiro de uma só vez. E ficar. Invocar. Perder o corpo entre árvores dentro do tronco. A costura que arranha também resguarda, se eu lhe der essa frequência. A candura de estar e saber que não se vai ficar. 

Depois de uma manhã, o segundo dia aberto. A expansão do silêncio onde o sol atravessa vidas,       regressa. 

Regressa no momento subtil que vem acontecer mais tarde. A rotação de cada momento, cria o momento seguinte, delicado e subtil, quase transparente. Mas está, e permanece até sentir-se a si mesmo. Em rocha. Em pena. E regressa de onde vem e para onde retomas. No mesmo sítio onde a queda deixou de cair, sai a imagem do corpo pela mão. 

O terceiro dia a acabar dentro da manhã. Penas pressas ao vento desapegam árvores, carregam o tronco em filamentos e levantam o chão da terra, onde tudo acontece e nada acontece. Como a ternura de acordar o dia sem saber como ele se irá fechar.


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Experiência do não sei II
Aguarela sobre papel
30x22 cm
2012

sexta-feira


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Experiência do não sei
Aguarela sobre papel
30x22 cm
2012