quinta-feira

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 A lança foi reactivada
Começam a acabar as palavras no mundo.
A iluminação das palavras não está naquelas que são iluminadas mas aquelas iluminam. Porém a garganta por mais aberta que esteja já não é o veículo de transmissão por excelência. E o outro começa a fazer-se escutar onde o espírito permanece

A palavra diz uma coisa, transfere

 

 

 

 



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quarta-feira

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A natureza desfragmenta-me os corpos, liberta-os de uma liberdade a que foram presos
                                           - Atravessar o bosque -
É uma entrada. Um sacrário da natureza, quando atravessado, não há retorno possível.

sexta-feira

Lixa-te, é daí que vem o brilho.


Cada som em cada movimento provocava o mistério daquela tarde, naquele dia pendurado à noite. O mistério daquilo que estava e não se via nem se servia dos olhos para ser visto.

As pedras dobradas e ancoradas na ponta do mar. As árvores estendidas no chão. 

As folhas acordadas e sonhadas param e recomeçam o tempo. O olhar manifesto nas mãos recolhe-as para fora, cada uma a seu tempo. Desdobra o corpo mais uma vez e lança a seta onde o alvo não figura, nem silhueta tem. A seta deixa de ser seta, o alvo deixa de ser alvo, o arco recolhe-se em ar. Vai para dentro do corpo através das mãos.

O sol a atingir os raios, a luz a mover as sombras. Faz mover os pés para junto do corpo. Abana e abandona a árvore onde te seguras. Planta-te a ti, no mais profundo que há em ti e no interior da terra. Bem lá no fundo e vem. Faz-te árvore e toca as nuvens com os teus ramos e toca as nuvens com as tuas raízes. 

O movimento só é liberto depois de o soltares, de ti e ao que te prendes-te.
Arranha e arranca a respiração do teu corpo e da tua alma, faz-te surdo ao mundo para te escutares. Senta-te ao teu colo e faz-te criança. Assim chegarás a ti.

E agora o vento preso pelas árvores solta as folhas. Uma a uma. Passo a passo. Tudo regressa a ti. O que te esqueces-te, o que perdes-te, o que tapas-te, o que enfeitas-te. Está tudo agora no dobro da intensidade. Vai-te lixar.

terça-feira

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Pena que sai do mar
Levanta a rocha
   segura
Levemente a concha do mundo.

Feather leaves the sea
Raises the rock

   hold
Gently the shell of the world.

sexta-feira

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Metaphor of
Óleo sobre tecido para tela
30 x 57 cm
2012

quinta-feira

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Enraizar nas nuvens
Óleo sobre tela
55 x 60 cm
2012

sexta-feira

manifesta

Manifesta o manifesto
Óleo sobre tela
30 x 30 cm
2011

sábado

passo firme


Faz acontecer em silêncio o som das tuas palavras


quarta-feira

a casa encontrada


A sala perdida no meio da casa, respondeu o quarto em auxílio. A porta confidencia a janela a prolongar-se num rasgo. A casa ficou de pé perdida pelo chão que levantou paredes onde o tecto cai várias vezes depois da chuva.

quinta-feira

Oitavo passeio



Oitavo passeio
Óleo sobre tela
46x55 cm
2011

vazios para sorrir


o corredor dentro de casa para sair dela. O caminho para o parque está em cada pé, em cada passo em cada olhar, em cada movimento do braço onde também ele caminha. A rua fica estreita, as pessoas passam umas atrás das outras, a pressa e a zanga, o correr do dia para chegar a um sítio, a um momento. Os olhares perdidos à procura, à procura do instante onde tudo fica bem. Onde se volta a respirar. E tudo passa. Porque as pessoas querem que as coisas passem, mas não querem passar por elas. 

Diariamente, o mesmo caminho com as mesmas pessoas, a mesma vontade, o mesmo nada. A ruptura vazia. O vazio que sai dos pés está na rua e cola-se a outros andares. Há sorrisos que levam esses vazios perdidos e os enchem e desfazem e eles já não vivem tristes, ficam vazios para sorrir.