quinta-feira
quarta-feira
.
A natureza desfragmenta-me os corpos, liberta-os de uma liberdade a que
foram presos
- Atravessar o bosque -
É uma entrada. Um sacrário da natureza, quando atravessado, não há retorno possível.
- Atravessar o bosque -
É uma entrada. Um sacrário da natureza, quando atravessado, não há retorno possível.
sexta-feira
Lixa-te, é daí que vem o brilho.
Cada som em cada movimento provocava
o mistério daquela tarde, naquele dia pendurado à noite. O mistério daquilo que
estava e não se via nem se servia dos olhos para ser visto.
As pedras dobradas e ancoradas na
ponta do mar. As árvores estendidas no chão.
As folhas acordadas e sonhadas param
e recomeçam o tempo. O olhar manifesto nas mãos recolhe-as para fora, cada uma
a seu tempo. Desdobra o corpo mais uma vez e lança a seta onde o alvo não figura,
nem silhueta tem. A seta deixa de ser seta, o alvo deixa de ser alvo, o arco recolhe-se
em ar. Vai para dentro do corpo através das mãos.
O sol a atingir os raios, a luz a mover
as sombras. Faz mover os pés para junto do corpo. Abana e abandona a árvore onde
te seguras. Planta-te a ti, no mais profundo que há em ti e no interior da terra.
Bem lá no fundo e vem. Faz-te árvore e toca as nuvens com os teus ramos e toca as
nuvens com as tuas raízes.
O movimento só é liberto depois de o
soltares, de ti e ao que te prendes-te.
Arranha e arranca a respiração do teu
corpo e da tua alma, faz-te surdo ao mundo para te escutares. Senta-te ao teu colo
e faz-te criança. Assim chegarás a ti.
E agora o vento preso pelas árvores solta
as folhas. Uma a uma. Passo a passo. Tudo regressa a ti. O que te esqueces-te, o
que perdes-te, o que tapas-te, o que enfeitas-te. Está tudo agora no dobro da intensidade.
Vai-te lixar.
quinta-feira
terça-feira
...
Pena que sai do mar
Levanta a rocha
segura
Levemente
a concha do mundo.
Feather leaves the sea
Raises the rock
hold
Gently the shell of the world.
Raises the rock
hold
Gently the shell of the world.
sexta-feira
quinta-feira
sexta-feira
sábado
quarta-feira
a casa encontrada
A sala perdida no meio da casa,
respondeu o quarto em auxílio. A porta confidencia a janela a prolongar-se num
rasgo. A casa ficou de pé perdida pelo chão que levantou paredes onde o tecto
cai várias vezes depois da chuva.
quinta-feira
vazios para sorrir
o corredor dentro de casa para sair
dela. O caminho para o parque está em cada pé, em cada passo em cada olhar, em
cada movimento do braço onde também ele caminha. A rua fica estreita, as
pessoas passam umas atrás das outras, a pressa e a zanga, o correr do dia para
chegar a um sítio, a um momento. Os olhares perdidos à procura, à procura do
instante onde tudo fica bem. Onde se volta a respirar. E tudo passa. Porque as
pessoas querem que as coisas passem,
mas não querem passar por elas.
Diariamente, o mesmo caminho com as
mesmas pessoas, a mesma vontade, o mesmo nada. A ruptura vazia. O vazio que sai
dos pés está na rua e cola-se a outros andares. Há sorrisos que levam esses
vazios perdidos e os enchem e desfazem e eles já não vivem tristes, ficam
vazios para sorrir.
segunda-feira
sexta-feira
segunda-feira
Opera o meu sonho durante a noite
A chegada começou quando a porta se
decidiu por abrir. Abrir-se a deslizar pelo chão. A voz disse em tom calmo e seguro
-A imitação dos verdes nas várias árvores do
jardim, do lado de fora da casa, dentro do mundo. O vento a soprar as folhas
das árvores para o chão, da mesma maneira suave, o vento a soprar as palavras
para fora da voz ou para dentro da escuta do corpo parado e de olhos fechados a
olhar o interior.
- Bom dia Hoje – só lhe estava na mão este agora.
- Que bom chegaste!
– Sim, a este dia para te encontrar. O dia que aconteceu foi ontem
durante a manhã e hoje voltamos a estar num dia diferente que acompanha a
frequência de nos voltarmos a encontrar no ponto em que nos deixámos.
- Na frequência - Opera o meu sonho durante a noite.
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