Regresso ao vento sem me ter despojado dele. Sem me ter desfeito deformei o ar no salto. Com sorte agarro o corpo antes ou no momento em que ele sente a queda
Durante um certo tempo parece que o tempo não chega ao fim de si mesmo o vento de mão aberta respira. As árvores nos seus troncos olham imóveis o movimento eu saio de mim sem fechar os olhos e chego onde estou. Permanência lado a lado, no espaço para lá dos nossos corpos terra, nós continuos a nós mesmos uma linha dentro do ponto luz. A ternura do exercício liberta-se no corpo da alma
a noite dentro do dia abre a luz onde o ar não se fecha. Mas onde? no mesmo sitio que tu, no universo! aqui e agora para estares contigo tens de te ir buscar, e depois és. Como para te adormeçeres tens de te levar ao corpo. Porque as duas mãos que tens e te descem pelos braços seguram cada uma delas uma opção de viver a existência humana. Então eu posso escolher
Passaram vários anos desde o dia de hoje. Esse dia onde a terra nasce e desvela - onde caminhas para o sitio onde regresso e fiquei à medida que aqui estou numa multiplicidade de seres
- e se eu estou a dizer isto, escuta e acompanha a viagem. A distância do mundo somos nós com este bocado de nada de corpo de matéria
Sabes e agora neste caminho de hoje? - ainda não tens de saber a conversa das palavras mas começa a escutar
estar por aqui a fazer instantes a dizer palavras o que elas têm lá dentro como se manifestam . Nem te vou dar a escutar o que dizem quando a voz fala para fora do silêncio
- depois sentes um frio no coração.
E tu?
- eu?! eu não estava à espera de tanto em tão pouco – o afecto mais intimo não quase não sobrevive à humanidade - fica no peito por respirar
Abri a porta entrei na saída que indicava o olhar parado. O corpo mexe-se no ventre as mãos sabem disso. Gostava de ter um caminho vindo do exterior inesperado feito em silêncio em admiração sem mas liberto em si. Abri a porta e saí à rua estava dentro de casa a Natureza com o caminho
segurei as palavras que seguiam a voz. O percurso está.
A - colher afecto como os campos a terra os troncos - no meio as mãos deitam-se dentro das raízes. Como o sol a receber a casa luz a entrar dentro de tudo. A casa deixou de ser casa. Estava lá dentro.
- O encontro do ser com o seu interior tomado liberdade.