domingo

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Abri a porta entrei na saída que indicava o olhar parado. O corpo mexe-se no ventre as mãos sabem disso.   Gostava de ter um caminho vindo do exterior inesperado feito em silêncio em  admiração sem  mas liberto em si.  Abri a porta e saí à rua   estava dentro de casa a Natureza com o caminho


sábado

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o homem o mundo





Obrigada PM :)

domingo

... ...

segurei as palavras que seguiam a voz. O percurso  está.
A - colher  afecto como os campos a terra os troncos - no meio as mãos deitam-se dentro das raízes. Como o sol a receber a casa    luz a entrar dentro de tudo. A casa deixou de ser casa. Estava lá dentro.

- O encontro do ser com o seu interior tomado liberdade.

sim, com as mãos por terminar

quarta-feira

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hoje é este dia


o que guardas contigo

- a dança no abraço do corpo (um braço) um afecto de um lado chega ao outro no caminho feito sem distância, a mão segura o olhar fechado. 
A luz. em cada passo preenche este lado sopra no outro   momento  
nada existe nada fica por existir.

Fiz-te dizer?
- Aguardo a minha partida à minha chegada 

tudo no mesmo instante.

Sim,

sexta-feira

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Agora que o dia continua a começar

O que guardas contigo
(levo) - o pedaço continuado    sorriso feito em silêncio de modo a escutares
Fiz-te dizer?



   assim que as palavras falavam antes da voz. A voz aberta (roda a maçaneta da porta onde entras o corpo) que te vê quando fechas os olhos.


- Sim, o corpo tocado em si.

terça-feira

Agora lê-me os olhos lá de dentro enquanto a rua sobe                   o sol mostra-se aberto ao ar. Porque o corpo respira sente a terra até no seu cansaço.

domingo

Abri a luz enquanto escutava o silêncio.

- Sento-me à beira do vento na tranquilidade calma de o ver de o acompanhar em si. E ele respira-me os pulmões quando um sopro está a ser escutado. O vento respira me para cima dos olhos, o que é que eu vejo
Deixei o ser tornar-se natureza.

quinta-feira

de um bom sentimento teu


Fui observando à medida que caminhavas ou caías ou ias indo. Fui ouvindo à medida que ias falando ou dizendo algumas palavras. Observei  escutei  estive. Observei  escutei  estive. Observei  escutei  estive. Várias vezes         todas as vezes que aqui vieste. Houve um dia que chegas-te e não falas-te de ninguém, ou pensei eu. Claro que tinham ocorrido alguns acontecimentos e tu estavas cá outra vez, a dizer que coordenada x e y não te tinham levado a bom porto. Agora era eu       eu dizia tu escutavas. Não estava a espera de ser eu nem tu estavas à espera de ser eu. Mas aconteceu da minha parte.
Agora faz contigo o que eu fiz contigo  observa  escuta está observa escuta está observa escuta está e vai e corre atrás de ti e tenta ser um bom amigo dos teus amigos. Faz várias vezes o que dizes-te uma vez, tenho de ir mais vezes ao meu lado humano

terça-feira

...

Bodhi não é como uma árvore.
O espelho brilhante não brilha em parte alguma:
Se nada há desde o princpio
Onde se acumula o pó?
Confucionismo

domingo

...

Retomo o dia à hora em que ele entra

quinta-feira

!

(...)

O que ouço, esqueço;
O que vejo, recordo;
O que faço, compreendo.
Confúcio

quinta-feira

-


Acordo depois de me adormecer. Levo o corpo ao colo; o repouso quieto aguarda por mim. E eu vou e estou onde o instante de estar é levado pelo peso atroz do ar. O ar que mantém o corpo de pé, ansioso e consumido de cansaço. Uma respiração gasta por palavras e gestos caídos em lugar sem fim - vertido aço. E eu vou e estou onde deixei de estar e de ser

(...)

- Não há história da palavra mas, inalteravél, uma história do silêncio. A palavra repete-a constantemente para nós.

- Do solêncio só conhecemos o que palavra nos pode dizer. Quer queiras quer não, só a palavra confirmamos.

- Quando lês, em voz alta, um texto, não é a tua voz que ouves? A história do silêncio é um texto. A escuta do silêncio, um livro.
O instante diz. A duração é dita. A duração é ausência, e o instante, um vestígio revelado de uma ausência revelada a si mesma.
A palavra não será mais, talvez, que uma sucessão de passos sonoros nos passos destronados de um universo que desapareceu sob as areias.


Edmond Jabés, A Obscura Palavra do Deserto - Uma Antologia, Livros Cotovia 1991, p59