sexta-feira
... .
O que guardas contigo
(levo) - o pedaço continuado sorriso feito em silêncio de modo a escutares
Fiz-te dizer?
assim que as palavras falavam antes da voz. A voz aberta (roda a maçaneta da porta onde entras o corpo) que te vê quando fechas os olhos.
- Sim, o corpo tocado em si.
terça-feira
domingo
quinta-feira
de um bom sentimento teu
terça-feira
quinta-feira
sexta-feira
quinta-feira
-
(...)
terça-feira
E as flores, para que são as flores?
sábado
Lido ao acaso
sexta-feira
Mesmo que encerre os meus olhos a respiração continua
Encontro uma folha enquanto respiro em silêncio, nela me deito em corpo e espírito e me demoro. Defronto uma respiração alargada que me desfaz. Desamparo palavras ao silêncio que se demora na minha companhia, estendo a mão onde ele se dissolve em mim e eu lhe confesso que fique. Fique até eu adormecer em cuidado e abra a porta para sair à rua do sonho onde a probabilidade existe em ser real. Em ser árvore - silenciosamente fixa permanentemente em movimento - comigo na rua permaneço ao achado e assim caminho levando os passos e os olhos mais à frente tocando a observação. Fui ao sol buscar – mando o ar cá para fora, ele cansa-me cá dentro
quinta-feira
Sem estar à espera
Sento-me, recomponho o corpo, olho em frente. Observo a imagem devolvida pelo espelho; alguém a olhar e a sorrir. Eu retribuo. Aquele sorriso naquele momento eram todas e as únicas palavras que estavam a ser ditas, e eu escutei com toda a atenção. Dentro da conversa alguma agitação, sinto-me a ser cuidadosamente tocada a partir das pontas dos cabelos até chegar ao pescoço, a respiração alcança um arrepio. Os meus olhos vão-se fechando, permanecendo devagarinho no escuro onde se vê um branco e algumas cores. A massagem termina. Sou convidada a sentar-me noutra cadeira. Vou expondo o meu pedido, observando o que me é dito. A nossa melhor conversa centra-se num olhar atento aos lábios, são eles que dão voz às palavras onde toda a linguagem está imersa em gestos sorrisos olhares e as mãos. As mãos a fazerem o que de melhor sabem, tocar, sentir, fazer. Durante esta permanência de momentos e uma satisfação de sorrisos, a linguagem verbal não respirava para poder ser dita através da voz. Quando não se tem voz, a beleza do mundo dirige-se a outros sentidos. Quando não se espera ouvir uma palavra, alcança-se uma infinidade de diálogo. Mesmo que este decorra num cabeleireiro.

