Gusty L. Herrigel, Zen e a Arte do Caminho das Flores, Assírio & Alvim, 2002, p.7
domingo
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Gusty L. Herrigel, Zen e a Arte do Caminho das Flores, Assírio & Alvim, 2002, p.7
sábado
A rua dentro de casa.
Em forma de adaptar o seu corpo à cadeira, descruza a perna direita, cruza a esquerda, inclina ligeiramente a cabeça encostando-a ao azulejo, passa a mão pelos seus finos cabelos e olha, olha particularmente. Demonstra uns pequenos gestos que vão reflectindo uma ligeira tentação de concertar o jeito da conversa que no seu entender era pouco coincidente com aquele momento. Enquanto ouvia, escutava o silêncio das palavras e lá dentro o encontro já lhe tinha dito.
Caminha cuidadosamente o chão através dos seus pés durante o tempo suficiente para chegar onde pretende. Agarra nas mãos, empurra a porta, entra. Põe o seu olhar a olhar em direcção à rua que se orienta à sua frente, enquanto observa encosta o corpo a um grande alicerce branco. Aguardando que a espera termine, decide voltar à rua que estava particularmente agradável naquela noite da semana, apesar do frio que corria no meio das pessoas. Mas o tempo estava quase a parar assim que vira o corpo e o olhar toca.
sexta-feira
A rua dentro de casa.
Imagina uma cozinha ampla, com todos os electrodomésticos que nela dispôem a sua forma. Enquanto tu entras ou julgas entrar, já uma pessoa ocupa o espaço. Lanças o teu corpo a uma cadeira de tons azuis onde o descansas, onde os teus olhos permanecem num olhar atento à prosa e aos alimentos que se preparam cuidadosamente, aos gestos da fala, às palavras proferidas, à escuta de uma conversa. Mas o que está a ser dito.
Mesmo ao lado, o corpo sai de casa marcando a viagem numa ausência incerta do seu destino. O seu único conhecimento é uma rua que sobe, outra que desce, uma curva a direito, a paragem do corpo, o olhar à espera do sinal verde, uma passadeira a atravessar, a longa rua a mover-se a cada passo, a entrada no metro e a sua saída. E quando o corpo entra na rua outra vez o olhar é absorvido.
Imagem #8
segurando a imagem dobrada.
quarta-feira
terça-feira
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passos apressados
sábado
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O céu da humanidade moderna está de facto despedaçado na luta ciclópica pela riqueza e pelo poder. O mundo anda às cegas na sombra do egoísmo e da vulgaridade. O conhecimento compra-se com má consciência, a benevolência pratica-se por amor à utilidade. O Oriente e o Ocidente, como dois dragões lançados num mar fermentoso, esforçam-se em vão por voltar a merecer a jóia da vida. Precisamos novamente de uma Niuka que conserte a grandiosa devastação; aguardamos o grande Avatar. Entretanto, tomemos um gole de chá. O ardor da tarde ilumina os bambus, as fontes murmuram com gosto, o sussurro dos pinheiros escuta-se na nossa chaleira. Sonhemos com a evanescência, e demoremo-nos na bela tolice das coisas."
*Shuhyung: Chu Yung
*Niuka: Nu Wa (Nu K´ua Shih).
Kakuzo Okakura, O Livro do Chá, BI.012,2007, pp 18-19
quarta-feira
domingo
sexta-feira
" "
O vazio pleno adormece.
O silêncio fica suspenso.
A água lisa afunda-se.
O frio contempla o seu reflexo.
O martelo cintila.
O ar parte as montanhas.
A caricia rasga-se.
O sopro corre em pedaços.
A luz salta para o escuro.
A névoa torna-se espada.
O duro tronco levita.
O sorriso endurece.
O ar em flecha se torna.
quarta-feira
terça-feira
" "
a rocha desfaz-se quando o mar lhe dá a mão.
segunda-feira
" "
François Cheng, A Eternidade não de mais, Ed. Bizâncio, pg 13

