terça-feira

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eleva-se uma onda, o olhar sorri
a rocha desfaz-se quando o mar lhe dá a mão.

segunda-feira

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"(...) o homem e a mulher. Para além das palavras, um olhar, um sorriso é quanto basta para que cada um se abra ao mistério do outro, ao mistério novo. "

François Cheng, A Eternidade não de mais, Ed. Bizâncio, pg 13

quinta-feira

" "

O outro responde:

- Entre as sombras, o peso respira-se em leveza; e na leveza, respiram-se as sombras.

Depois nada mais disseram. Já tinham um nome. Uma identidade. Mas continuavam a desconhecer a meta.
(Como se necessário e a meta se torna-se o caminho.)

A leveza de uma concha guarda o escuro da sombra onde se toca um fino brilho guardado no fundo do ar.

Quando o dia acordou já a noite tinha ido embora, sem nada dizer tudo se ouviu.
O sol suspenso no seu sono adormeceu cedo, levemente no balanço das nuvens e por lá se deixou ficar; de olhos fechados a esconder-se do frio.

A névoa vem à rua martelar o ar como se ele fosse aço. Faz-se pesar entre nós; construindo cascatas de frio como se o mundo tivesse girado o seu pólo.
Deu-nos um passo apresado com vontade de ir para casa mergulhados numa respiração quente.

O nevoeiro entrou no metro.
Eu entrei nas escadas rolantes.
Ele foi-se embora. Eu não olhei para trás.

Entre o dia e a noite, mesmo sem nada terem dito. Continuam o caminho de desconhecer a meta.

quarta-feira

...

Numa sala ausente o ar suspira
tem uma memória de que não se recorda:
mãos sem fim correndo outras salas ausentes de tudo presentes de nada
agarrando o chão com os pés através do olhar que toca sem se mexer
largando tudo sem abrir a mão de deixar para trás ao acaso o acontecimento
de estar:
O mar guardado numa gota à beira de uma rocha
a observar o ar num dia onde a sombra não pesa.

terça-feira

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O mundo estraga-nos com os seus mimos.

sexta-feira

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Gota a gota
cai
a pedra

Passo a passo
ergue-se o chão.

terça-feira

...

Há um sol a largar os seus belos cabelos molhados ao vento.
No seu movimento
a chuva cai feliz
por se ir passear aos cantos e recantos da terra e regressar a si
numa viagem sempre sem fim ou princípio,
apenas a acção de estar.

domingo

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A tranquilidade das rochas
é observada pelo rio que corre.
A quietude do céu
é observada pelo flutuar das nuvens.

O sol vem lá de cima para nos tocar.
Ás árvores cá em baixo para nos apoiar.

Temos o silêncio a ouvir:

A chuva faz ligação entre
rio e céu
rochas e nuvens

O Homem faz ligação
o quê?

Temos sorrisos à espera de serem feitos.

sábado

*

"A montanha vazia repercute os mínimos sons, faz ressoar a distância no pavilhão auricular com uma clareza perturbadora. O vento espalha o sussurro das folhas que caem; as corujas piam a sua solidão sem remédio. Quando se anuncia uma tempestade, a trovoada faz vibrar as portadas, e com elas o corpo do homem que está à escuta. "

François Cheng, A Eternidade não é de mais Ed. Bizâncio pg 202

sábado

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Rochas de árvores no meio das nuvens a contemplar os Homens.
Nós por aqui: a abanar sem vento.

quinta-feira

#14

...

Manto de pedras voa
ergue o horizonte a ser observado.