O outro responde:
- Entre as sombras, o peso respira-se em leveza; e na leveza, respiram-se as sombras.
(Como se necessário e a meta se torna-se o caminho.)
A leveza de uma concha guarda o escuro da sombra onde se toca um fino brilho guardado no fundo do ar.
Quando o dia acordou já a noite tinha ido embora, sem nada dizer tudo se ouviu.
O sol suspenso no seu sono adormeceu cedo, levemente no balanço das nuvens e por lá se deixou ficar; de olhos fechados a esconder-se do frio.
A névoa vem à rua martelar o ar como se ele fosse aço. Faz-se pesar entre nós; construindo cascatas de frio como se o mundo tivesse girado o seu pólo.
Deu-nos um passo apresado com vontade de ir para casa mergulhados numa respiração quente.
O nevoeiro entrou no metro.
Eu entrei nas escadas rolantes.
Ele foi-se embora. Eu não olhei para trás.
Entre o dia e a noite, mesmo sem nada terem dito. Continuam o caminho de desconhecer a meta.




